Fórmula percentual na produção em batelada: consumo e custo que fecham
Numa confecção, a ficha técnica diz "1,30 m de tecido por peça". Numa fábrica de tinta, de alimento ou de produto químico, a receita não fala em unidades: fala em porcentagem. E o lote não tem tamanho fixo, porque depende do tanque, do pedido e do que tem de matéria-prima. Isso muda a forma de calcular o consumo e, principalmente, o custo.
A fórmula e o lote
Uma tinta base água, com carga de 500 kg no tanque:
| Componente | Fórmula | Carga | Preço | Custo |
|---|---|---|---|---|
| Resina | 35% | 175 kg | R$ 18,00/kg | R$ 3.150,00 |
| Carga mineral | 30% | 150 kg | R$ 1,20/kg | R$ 180,00 |
| Água | 25% | 125 kg | sem custo relevante | R$ 0,00 |
| Pigmento | 8% | 40 kg | R$ 45,00/kg | R$ 1.800,00 |
| Aditivos | 2% | 10 kg | R$ 60,00/kg | R$ 600,00 |
| Total | 100% | 500 kg | R$ 5.730,00 |
A multiplicação é direta. O erro está no passo seguinte: dividir os R$ 5.730,00 por 500 kg.
O que sai não é o que entrou
Todo processo em batelada perde alguma coisa: evaporação, resíduo que fica no tanque e na tubulação, amostra retirada para o laboratório, o que escorre na envase. Suponha uma perda de 4%: dos 500 kg carregados, saem 480 kg de tinta.
custo por kg = custo da carga ÷ quantidade que saiu
R$ 5.730,00 ÷ 480 kg = R$ 11,94 por quilo. Quem divide por 500 kg chega a R$ 11,46, quase R$ 0,48 a menos. Num lote, são cerca de R$ 229,00 que existem no caixa e não existem no custo. Em quatro lotes por semana, a diferença passa de R$ 3.600,00 por mês, e ela vai direto para o preço de venda subestimado.
Carregar para o pedido, não para a fórmula
Quando o pedido é de 1.000 kg de produto pronto, carregar 1.000 kg entrega 960. A carga precisa compensar a perda:
carga = quantidade desejada ÷ rendimento
Com rendimento de 96%, são 1.000 ÷ 0,96 = 1.041,7 kg de carga, dos quais 364,6 kg de resina (35%). O mesmo número serve para o cálculo de necessidade: comprar resina para 1.000 kg em vez de 1.041,7 kg é faltar 14,6 kg no meio do lote.
O rendimento que se mede, não o que se supõe
Os 4% do exemplo são uma hipótese. O número certo sai de medir, lote a lote, o que entrou e o que saiu. Rendimento que oscila muito entre lotes é sinal de processo instável, e a média de vários lotes é o que deve ir para o custo padrão. Rendimento que cai de repente é o mesmo alerta do refugo: dinheiro saindo pelo processo.
Fórmula tem versão
A resina de outro fornecedor tem outro teor de sólidos, e a fórmula é ajustada. Esse ajuste precisa virar uma versão nova, e não uma edição da anterior: o lote produzido na semana passada foi feito com a receita da semana passada, e o custo dele não pode mudar porque alguém editou a fórmula hoje. É o mesmo princípio da ficha técnica versionada.
Lote, validade e consumo
Cada batelada é um lote, com data de fabricação e validade. Consumir primeiro o que vence primeiro (FEFO) evita descarte, e registrar quais lotes de matéria-prima entraram em cada batelada é o que permite a rastreabilidade quando um cliente reclama de um lote específico.
O que levar disso
- As porcentagens se aplicam sobre a carga; o custo se divide pelo que saiu.
- Perda de processo não medida vira custo subestimado em todo lote.
- Carregue para o pedido: carga = quantidade desejada ÷ rendimento.
- Ajuste de fórmula é versão nova, nunca edição da anterior.
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