Fórmula percentual na produção em batelada: consumo e custo que fecham

Custo e preço6 min de leitura

Numa confecção, a ficha técnica diz "1,30 m de tecido por peça". Numa fábrica de tinta, de alimento ou de produto químico, a receita não fala em unidades: fala em porcentagem. E o lote não tem tamanho fixo, porque depende do tanque, do pedido e do que tem de matéria-prima. Isso muda a forma de calcular o consumo e, principalmente, o custo.

A fórmula e o lote

Uma tinta base água, com carga de 500 kg no tanque:

ComponenteFórmulaCargaPreçoCusto
Resina35%175 kgR$ 18,00/kgR$ 3.150,00
Carga mineral30%150 kgR$ 1,20/kgR$ 180,00
Água25%125 kgsem custo relevanteR$ 0,00
Pigmento8%40 kgR$ 45,00/kgR$ 1.800,00
Aditivos2%10 kgR$ 60,00/kgR$ 600,00
Total100%500 kgR$ 5.730,00

A multiplicação é direta. O erro está no passo seguinte: dividir os R$ 5.730,00 por 500 kg.

O que sai não é o que entrou

Todo processo em batelada perde alguma coisa: evaporação, resíduo que fica no tanque e na tubulação, amostra retirada para o laboratório, o que escorre na envase. Suponha uma perda de 4%: dos 500 kg carregados, saem 480 kg de tinta.

custo por kg = custo da carga ÷ quantidade que saiu

R$ 5.730,00 ÷ 480 kg = R$ 11,94 por quilo. Quem divide por 500 kg chega a R$ 11,46, quase R$ 0,48 a menos. Num lote, são cerca de R$ 229,00 que existem no caixa e não existem no custo. Em quatro lotes por semana, a diferença passa de R$ 3.600,00 por mês, e ela vai direto para o preço de venda subestimado.

Carregar para o pedido, não para a fórmula

Quando o pedido é de 1.000 kg de produto pronto, carregar 1.000 kg entrega 960. A carga precisa compensar a perda:

carga = quantidade desejada ÷ rendimento

Com rendimento de 96%, são 1.000 ÷ 0,96 = 1.041,7 kg de carga, dos quais 364,6 kg de resina (35%). O mesmo número serve para o cálculo de necessidade: comprar resina para 1.000 kg em vez de 1.041,7 kg é faltar 14,6 kg no meio do lote.

O rendimento que se mede, não o que se supõe

Os 4% do exemplo são uma hipótese. O número certo sai de medir, lote a lote, o que entrou e o que saiu. Rendimento que oscila muito entre lotes é sinal de processo instável, e a média de vários lotes é o que deve ir para o custo padrão. Rendimento que cai de repente é o mesmo alerta do refugo: dinheiro saindo pelo processo.

Fórmula tem versão

A resina de outro fornecedor tem outro teor de sólidos, e a fórmula é ajustada. Esse ajuste precisa virar uma versão nova, e não uma edição da anterior: o lote produzido na semana passada foi feito com a receita da semana passada, e o custo dele não pode mudar porque alguém editou a fórmula hoje. É o mesmo princípio da ficha técnica versionada.

Lote, validade e consumo

Cada batelada é um lote, com data de fabricação e validade. Consumir primeiro o que vence primeiro (FEFO) evita descarte, e registrar quais lotes de matéria-prima entraram em cada batelada é o que permite a rastreabilidade quando um cliente reclama de um lote específico.

O que levar disso

  • As porcentagens se aplicam sobre a carga; o custo se divide pelo que saiu.
  • Perda de processo não medida vira custo subestimado em todo lote.
  • Carregue para o pedido: carga = quantidade desejada ÷ rendimento.
  • Ajuste de fórmula é versão nova, nunca edição da anterior.

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